Social-Democracia pode vencer nos Estados Unidos?

Formado em Ciência Política pela Universidade de Chicago, ex-ativista pelos direitos civis nos Estados Unidos (EUA), o senador pelo estado de Vermont, com 600 mil habitantes e economia fortemente baseada no turismo, Bernie Sanders, autoproclamado socialista, tem se mostrado um pré-candidato competitivo, pelo Partido Democrata, nas prévias que disputa com a ex-ministra e ex-primeira dama Hilary Clinton.

Entre as propostas apresentadas por Sanders, que sustenta a campanha graças a fortíssimo apoio da juventude identificada com uma plataforma progressista no cenário da América do Norte, e muitos doadores, como forma de manter relativa independência dos grandes conglomerados e seus interesses (os dados até agora divulgados apontam muito maior poder econômico da adversária, que obtém apoios financeiros mais concentrados), estão uma elevação do salário-mínimo de valor ligeiramente superior a sete para 15 dólares por hora, a abolição das taxas universitárias, melhorando as possibilidades dos filhos das classes trabalhadoras com menos estudo chegarem às instituições de ensino superior e um consistente aumento na tributação dos ricos. A gestão de Barack Obama, aliás, manteve desonerações para o topo da pirâmide, uma das marcas do “reaganismo” dos anos 1980, as quais identificaram definitivamente os republicanos com a direita.

Assim, a maior potência do planeta se aproximaria muito de uma linha social-democrata de governo, drenando recursos para um sistema de saúde e seguridade social abrangente, combinando o processo com a ampliação do acesso ao ensino superior. Há indícios claros, também, dos limites impostos para uma administração democrata à esquerda da atual. Afinal, o “status quo” nos EUA seguirá sendo de dominação política das grandes corporações, empresários, executivos e profissionais liberais mais abastados, de diferentes setores.

Bernie Sanders não se posiciona resolutamente a favor de um maior controle da comercialização das armas de fogo, por exemplo. A facilidade para obtê-las constitui fator relacionado a tragédias que colocam a América do Norte em situação pior do que a de outras nações desenvolvidas, neste aspecto. Está longe, também, de condenar resolutamente Israel no que se refere à opressão contra os palestinos, o que teria enorme importância, pelo fato de ser judeu.

A vitória do senador de Vermont ainda é a hipótese menos provável. Hilary Clinton, com base forte entre as mulheres e os latinos, goza da preferência da máquina do Partido Democrata. Dificilmente, uma surpresa como foi o triunfo de Obama, se repetirá nas prévias da agremiação, em 2016. Mesmo o grupo de milionários a fim de pagar mais impostos mostra divisão, sem uma clara inclinação por um ou outro.

Marcelo Dorneles Coelho

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