IESA Oléo e Gás tem crise agravada pelos desdobramentos da investigação na Petrobrás

A empresa IESA Óleo e Gás já apresentava problemas para o pagamento de funcionários e fornecedores no ano passado, antes que as denúncias sobre a Petrobras viessem à tona. A situação foi agravada pelas investigações da Operação Lava Jato, contra esquemas de corrupção na estatal, as quais incluíram os gestores da indústria, que fabricaria 16 módulos para plataformas de petróleo. O contrato com a companhia chegava a US$ 800 milhões e foi cancelado.

Agora, mil operários devem ser demitidos na semana que começa dia 24 de novembro. A mobilização com o Sindicato dos Metalúrgicos de Charqueadas, município da IESA no Rio Grande do Sul, tem como objetivo assegurar o pagamento dos direitos trabalhistas, por acordo (quase descartado) ou via judicial. A prefeitura da cidade ainda tem esperança de preservar as atividades da fábrica, evitando que três mil e quinhentos empregos indiretos sejam afetados.

Há dificuldades de comunicação entre a entidade e a direção da indústria. Para tentar atenuá-las, nesta quinta-feira, dia 20, o Ministério Público do Trabalho organiza, em Santa Cruz do Sul, reunião entre as partes. É grave a crise no polo naval do Jacuí, em um contexto no qual a oposição ataca fortemente o Governo de Dilma Rousseff, por causa das denúncias, e até opiniões quase que explicitamente a favor de um golpe militar começam a encontrar espaço na grande imprensa.

A administração estadual chegou a divulgar que mandaria imediatamente uma unidade do Sine para auxiliar na recolocação dos trabalhadores, na própria região. Entretanto, preferiu esperar que se confirmem as demissões em massa. O que ocorre com a Petrobras poderá ter outros desdobramentos, em escala ainda mais significativa.

Marcelo Dorneles Coelho

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