O IBGE corrige pesquisa: Índice de Gini não piorou no país

O IBGE surpreendeu o Brasil, ao informar que errou dados sobre desigualdade e renda na Pesquisa Nacional feita em residências (a postagem da semana passada já havia sido feita, quando o Instituto divulgou os enganos), por causa de uma falha metodológica. Segundo comunicado, em estados com duas ou mais regiões metropolitanas – casos do Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Bahia, por exemplo -, todas elas entraram na amostra, quando somente as áreas das capitais deveriam ser inseridas.

Assim, o Coeficiente de Gini – quando mais perto de 1, maior a desigualdade – não teria aumentado de 0,496 para 0,498, mas sim diminuído para 0,498, entre 2012 e 2013. A diferença pouco relevante ganhou maior importância, porque a tendência de diminuição de desigualdade estaria mantida, com certa estagnação, e não em um momento de reversão associado ao baixo dinamismo econômico.

O candidato do PSDB à Presidência da República afirmou que “(ficam) em dúvida todos os dados apresentados, inclusive, e, sobretudo, os positivos”, ligando erros como este e os recentemente acontecidos no IPEA a supostas pressões do governo federal sobre os pesquisadores. Como, durante a greve realizada há pouco tempo, uma das reivindicações dos servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontava a necessidade do fim do “aparelhismo” na instituição, a crítica não parece desprovida de fundamento.

A Casa Civil investigará o caso. Talvez ele revele mais elementos que ensejem a reflexão do partido que comanda o país, para além das eleições gerais cada vez mais próximas. Se a verdade não chega a ser “sempre revolucionária”, pode se constituir em fator potente de transformação.

Marcelo Dorneles Coelho

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