IBGE aponta: diminuição da desigualdade pode ter chegado ao limite no país

A pesquisa nacional da amostra por domicílio do IBGE, realizada no ano passado, apontou que o Brasil diminuiu lentamente, a partir de 2002, a desigualdade, mas a tendência não se manteve. O Coeficiente de Gini (quanto mais perto de 1, mais iníqua a distribuição de renda), que era de quase 0,60 baixou para menos de 0,50, em uma década. Entretanto, entre 2012 e 2013 observou-se ligeiro aumento.

A região sul é a que registra maior paridade: 0,45. O nordeste ainda se caracteriza pela concentração: 0,52. O estado mais rico da Federação surpreendeu negativamente. Em São Paulo, o índice ficou situado em 0,56. Os fatores para a estagnação têm, evidentemente, base econômica.

O baixo crescimento da produtividade, o limite para a distribuição de crédito, no fomento do consumo interno, configurando a redução do dinamismo no mercado de trabalho e as dificuldades de infraestrutura, com forte concentração da propriedade, já que os governos petistas não incidiram mais profundamente no domínio do capital, parece indicar o esgotamento de um ciclo. Aproxima-se o momento em que se verá até que ponto o processo se refletirá nas urnas.

Ao mesmo tempo, a ONU confirmou que o país está prestes a erradicar a fome. O flagelo ainda atinge milhões, mas eles correspondem a aproximadamente 2% da população. Os programas sociais, o esforço de instituições religiosas e comunitárias – por exemplo, com restaurantes que fornecem refeições a desempregados -, bem como os projetos de qualificação profissional, não ainda com resultados suficientes, mas com massificação considerável, produziram um cenário em que as classes trabalhadoras superam situações de miséria absoluta e podem evoluir nos valores e na compreensão da complexa realidade em que se inserem.

Marcelo Dorneles Coelho

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