As dores de um ofício

Intensificação do trabalho, repetição de movimentos realizados na execução das tarefas, elevado esforço físico, prolongação de determinadas posturas. Tais situações levam os trabalhadores a sofrer dores constantes e ter dificuldades de exercer suas atividades. Essa é a realidade das pessoas portadoras de LER/DORT – Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, causados, principalmente, por esforços repetitivos. Tendinites, bursites, e até mesmo a síndrome do túnel do carpo são algumas complicações da doença.

A manifestação dos sintomas é de forma lenta e gradual. O retorno às atividades agrava a situação, provocando mais dores. O importante é combater as causas, não só os sintomas. O empregador tem o dever legal de proporcionar ao trabalhador condições adequadas para o desempenho de suas atividades, para evitar os riscos relacionados ao ambiente de trabalho. Algumas medidas são fundamentais, como fornecimento de equipamentos de proteção e segurança, com constante substituição dos mesmos; respeito à jornada de trabalho; realização de tarefas compatíveis com a capacidade e limite laborativo do empregado; ginástica laboral e os adequados intervalos e pausas de descanso.

Mais do que o sofrimento no aspecto físico, o trabalhador também apresenta abalo psicológico, algumas vezes com medo de relatar as dificuldades vivenciadas, pelo receio de sofrer com perseguições, assédio moral e dispensa.

No entanto, felizmente já existem espaços onde o trabalhador pode expor, discutir e até mesmo denunciar situações onde os seus direitos laborais estejam sendo lesados, como sindicatos, Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho e os Centros Regionais de Saúde do Trabalhador.

Se for constatado algum dano relacionado ao trabalho, o trabalhador pode buscar junto ao judiciário uma indenização por danos morais e também materiais, na forma de uma pensão mensal na proporção do dano sofrido, bem como o ressarcimento de gastos com medicamentos e tratamento de saúde.

 

por Ramiro Pereira da Silveira

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